Fique Milionário com a Psicanálise

Descendo do monte Olimpo para a terra dos mortais comuns, poderão tais conceitos ser explorados comercialmente. O articulista citado poderá ganhar muito dinheiro pondo em prática o que prega. Bastar criar uma empresa de assessoria comercial a motéis e mosteiros, transferindo os filmes eróticos dos motéis para os mosteiros. Dentro da lógica de que a imaginação rebaixa a represa da libido, a medida mataria dois coelhos com uma só cajadada:

a)os motéis deveriam economizar os filmes eróticos, medida que segundo a psicanálise deveria aumentar seu faturamento, pois ao evitar a descarga projetiva traria como resultado tecnicamente previsível que os parceiros sexuais não teriam o seu tesão diminuído pela imaginação com tais filmes. Em conseqüência ficariam mais tempo transando e aumentariam o faturamento dos motéis que cobram por hora.

b)os mesmos filmes eróticos seriam transferidos para os mosteiros, onde cumpririam a função psicanalítica de aumentar o número de vocações, ao apaziguar o tesão dos jovens monges, que deveriam assistir a filmes eróticos ao invés de fazerem suas preces, reduzindo, destarte, segundo o articulista passivista, projetivamente, sua necessidade real de sexo genital.

O padre Lemercier levou a teoria da repressão-deslocamento-projeçãotão à sério quanto o nosso astro psicanalítico e realizou uma experiência prática: expôs jovens monges a cenas eróticas, técnica que segundo a douta e elevada e sublime Psicanálise reduz o total de libido projetivamente, deixando o corpo com menos tesão. Só que como resultado os fatos do território mostraram que os monges tinham seu tesão aumentado e queriam mulheres de carne e osso após a masturbação psíquica psicanalítica, como de resto qualquer de nós o faria. Tanto que, depois de psicanalisados, de cada quatro monges, três abandonaram o mosteiro.[1]

Afirmamos com toda a convicção que uma das principais causas da violência é o patrocínio promovido pela Psicanálise da propaganda a favor de armas de brinquedo e de filmes violentos, que deveriam projetivamente diminuir o comportamento violento. A projeção deve ser considerada por uma sociedade evoluída como campanha de incentivo à violência e punida com as leis vigentes. A grande influência da Psicanálise adormece e engana vastos setores da sociedade contribuindo para a grande safra de filmes violentos e brinquedos baseados em armas. Ora, Ao invés de diminuir a violência isso se constitui num treino ela: atividade lúdica e degustação de filmes ocorrem em estado alfa. Cenas violentas ou brinquedos com violência nesse estado criam idéias meganérgicas de comportamento violento.

Até quando os psicanalistas podem continuar gritando impunes: o território que se dane, viva a psicanálise! Será que não costumam freqüentar motéis e assistir a filmes eróticos antes da união carnal, como forma de aquecimento e não de diminuição do tesão?

Já percebeu Paul Ricoeur que é suficiente inverter o pólo do poder, bastando dizer que a psicanálise pare de analisar tudo e a todos, para que fatos corriqueiros — como os filmes eróticos em mosteiros ao invés de em motéis — desmontem toda a base psicanalítica, que, aliás, é feita sob medida apenas para cavernícolas passivos e submissos, que ainda não se deram conta de que o seu fantástico potencial mental tem sido explorado de forma abusiva pelo paradigma do passivismo, máxime pelo seu ícone, o inconsciente metapsicológico.

Cheniaux insiste em ignorar fatos de domínio comum (o fogo queima, churrasco com sal dá sede, filme erótico dá tesão, filme violento ensina violência) e despudoradamente repete, à revelia de todo o incessante progresso à sua volta, o vetusto mote do tempo das trevas, do tempo da bruxaria, de que a imaginação sofre passivamente os efeitos daquela misteriosa energia invasora.

Já vimos que não conseguiremos realizar na vida real nada que não tenhamos previamente moldado no pensamento. Assistir a filmes de violência treina a violência, assistir a filmes eróticos aumenta o tesão. A indução alfagênica, o aumento da potência cerebral e a imaginação propiciadas pelo filme facilitam a criação de excelentes programas noéticos. Todo o treinamento empresarial é realizado, em grande parte, com filmes que treinam o aprendizado desejado, jamais ensinando o oposto, paradoxo que estaria certo seguindo à risca a psicanálise. Segundo ela, seria necessário, por exemplo, que, para sermos treinados em aviação, devêssemos assistir a um filme sobre como cultivar cogumelos.

Um pianista pode completar seu treino executando imaginariamente a partitura, propiciando um refinamento do modelo neuronal dessa partitura com subseqüente melhor desempenho objetivo. Como o homem não é uma máquina, mas tem uma máquina, podemos pedagogicamente dizer que a imaginação tem sobre a vontade a vantagem de usar a seriação algorítmica dos passos, organizando programas nítidos, claros, detalhados e eficazes. Por isso ela é a grande incubadora do nosso comportamento, sentimentos e pensamentos.

A imaginação é a grande aliada do homem, a fantástica usina de descobertas e criações moldando e reprocessando as maquetes mentais, as fôrmas noérgicas criadoras de idéias meganérgicas, que plasmarão nosso futuro comportamento.

A imaginação é a grande usina da nossa realidade.
[2]MANNONI, O.1973. O imaginário, p. 280, Petrópolis, Vozes.
[3] RICOEUR, Paul. 1977. Da interpretação: ensaio sobre Freud, p. 88, RJ. Imago.
[4] GRAY, Jeffrey. 1976. A psicologia do medo e do stress, p. 222, RJ. Zahar.
[5] ROSSI, Ernest Lawrence, 1997.A psicobiologia da cura mente-corpo, p. 49, SP. Editorial Psy.

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