Teoria do inconsciente: porque engana tanta gente

ARQUEOLOGIA DO INCONSCIENTE

SUMÁRIO: A civilização homérica fez as duas maiores descobertas da humanidade: a) Ser Humano Pensa; b) a mais eficiente técnica de escravizá-lo é através do seu próprio pensamento. Foi assim que, no século IXAC deu-se a “descoberta” do inconsciente, isto é, da técnica de psicocracia permitindo que uma casta privilegiada manipulasse o pensamento da casta subalterna: olimpianos dominando cavernícolas. Foi assim que surgiram os conceitos de TER CONSCIÊNCIA (produzir pensamento e conhecimento com autonomia e intencionalidade) e SER INCONSCIENTE (não dispor dessa autonomia). O primeiro atributo citado é DIREITO POLÍTICO OLIMPIANO DA ARISTOCRACIA; O segundo atributo era OBRIGAÇÃO POLÍTICA DOS CAVERNÍCOLAS. Tal jurisprudência continuou sendo manipulada até o ponto em que gerações posteriores, que se julgavam mais avançadas do que a helênica, confundiram esses conceitos políticos com inexistentes mecanismos psicológicos, que até nossos dias continuam sendo utilizados para a execranda prática da psicocracia.

METAFÍSICA, O RECUO ENTREGUISTA DE PLATÃO: Isso constituiu um grande recuo: enquanto a maiêutica socrática pregava que a consciência e o conhecimento estão dentro de qualquer pessoa, a metafísica substituiu a maiêutica pelo método do geômetra: o conhecimento volta para o olimpo e a consciência retorna aos olimpianos e aristocratas, incluindo aqui os filósofos que deveriam governar o mundo. Tentou inclusive implantar em Siracusa a República Platônica, onde só a aristocracia dotada de consciência (filósofos) tinha acesso ao poder.
Ficou restabelecido que ter consciência é privilégio aristocrata e ser inconsciente é dever do povão, conceitos filocráticos que  pertencem ao campo da sociologia, criados por instâncias de poder como nos ensinará muito depois Foucault: são conceitos criados pelo poder a seu serviço. O político Platão com fama de filósofo, cujo objetivo sempre foi implantar a sua República, no acordo de paz que celebrou com os governantes helênicos depois do “escândalo filosófico”, propôs um recuo à época pré-milesiana, substituindo a revolucionária maiêutica socrática, pela metrétrica e pelo geômetra. Dessa maneira o povão cavernícola ficaria condenado à palavra e à doxa e a aristocracia continuaria com o refil do eidos. Séculos depois, Lacan copiaria esse modelo político de manipulação das massas relançando-o em alto estilo com os nomes de significante e significado, condenando a humanidade à mais algumas dezenas de anos de escuridão e manipulação da sua maior riqueza: o seu sistema mente-cérebro.
Durante um milênio essa crença permaneceu intocada, até que Agostinho tenta democratizar o direito à consciência, defendendo que não só aristocratas, mas todos os humanos, até mesmo ateus, negros e mulheres, tem consciência, tese que lhe valeu antipatia generalizada.
SER AUTOR INTENCIONAL DO PRÓPRIO PENSAMENTO É DIREITO UNIVERSAL: Esse direito que era conhecido como  “direito à consciência” é uma luta política, nascida num contexto político, mantida num contexto político e seu vazamento para a área psicológica é um acidente de percurso tolerado por nossa cegueira perceptiva: o Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem assegura: todos os homens são dotados de razão e consciência. No último quartel do Século XX surgem vários movimentos pleiteando a abolição de estigmas sustentados pelas teorias do inconsciente.
Do Século XV à metade do Século XX registramos o apogeu do inconsciente contrabandeado da Sociologia para a Psicologia, mas usado incessantemente a serviço sociológico do poder. A partir da metade do Século XX surge o apogeu da consciência. A guinada evoluiu do tudo é inconsciente (Carus) para tudo tem consciência (holotropismo).
Ambos monismos tiveram sua utilidade quando surgiram. O contexto que justificou seu nascimento não mais existe. Hoje são termos que desviam nossa atenção da essência dos fenômenos, constituindo fonte permanente de confusão, que ao invés de tudo explicar deixam tudo sem explicação. O éter também tudo explicava em Física; quando abolido deu lugar a pesquisas que desaguaram na descoberta de centenas de partículas subatômicas. Da mesma forma em Noergologia não se usa nem consciente, nem inconsciente – este por ser utopia, aquele por ser pleonasmo. Isso aguçará nossa mente obrigando-nos a enxergar os autênticos fenômenos e atividades mentais até agora escondidos por detrás desses dois monismos.


NOERGOLOGIA
: Essa desintoxicação semântica e conceitual já vem sendo desenvolvida por muitos estudos. O que a Noergologia traz de novo é a abolição da paralisia paradigmática, a focalização do homem como um ser ativo e intencional, a mudança das nossas crenças básicas sobre o mecanismo da mente e a dessacralização da energia mental com o conceito noergia, cujo efeito já imediato é eliminar três empecilhos ao progresso da Psicologia: o invasismo, o reducionismo e a dicotomia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *