Glossário – Letra C

1. CAVERNÍCOLA: designativo do habitante da caverna de Platão, pessoa capaz de enxergar apenas sombras, submissa nas relações de poder, interpretado nunca intérprete, vítima do inconsciente. É o representante típico do paciente do PPP.

2. CÉREBRO BICAMERAL: Homero dizia que tínhamos duas almas: enquanto uma dormia a outra ficava acordada. Aristocratas tinham o direito político de ter consciência, ou seja, de pensar por conta própria. Ao passo que cavernícola (povão) tinham a obrigação política de serem inconscientes. A alma do aristocrata morto se a Psicologia do Passivismo Psíquico estuda defuntos psicológicos, alimentando a utopia da interpretação do inconsciente, o qual não passa de um exercício maquiavélico microfísico de poder: sem o bipolo superior x subordinado fica impossível qualquer hermenêutica do inconsciente, já que ele na qualidade de universal afirmativa invalidaria qualquer atividade desse tipo, a não ser como uma aporia. Platão também acreditava que tínhamos duas almas: uma racional outra irracional, teoria que Freud incorporou em inconsciente x consciente, em id x ego. Finalmente a noergologia se liberta de todas essas crendices, conquistando o conhecimento do mecanismo do cérebro bicameral e das diferenças de potencial noérgico, tais como entre vontade e imaginação. Como é sabido, imaginação sempre vence a vontade e é exatamente ela a grande usina criadora das memórias meganérgicas, memórias altamente carregadas de noergia, cujo desconhecimento levava os antigos, incluindo Freud, a supor que tivéssemos uma mente bipartida em id e ego. O fenômeno do cérebro bicameral e das diferenças de potencial noérgico permitiu aos noergologistas enxergarem extraordinárias criações da nossa imaginação, cuja elevada eficácia aliada ao desconhecimento desses mecanismos, facilitava esse tipo de confusão, fazendo muitas civilizações acreditar no velho equívoco da repressão, da projeção e da dissociação, conceitos esses que são filhos do desconhecimento tanto do funcionamento da vontade versus imaginação, quanto da bicameralidade cerebral.  Conheça mais a respeito e livre-se das falsas crenças sobre o funcionamento da mente.

3.  CÉREBRO DIVIDIDO: ou bipartido, segundo o clássico conceito do Dr. Sperry consiste na “cisão do corpo caloso e demais conexões entre os dois hemisférios a partir da parte superior do tronco cerebral incluindo o quiasma ótico”. Nesse caso desaparece a contralateralidade visual. O termo Cérebro dividido é inadequado para a comissurotomia.

4.  CIENTIFICIDADE: em GESTÃO DO CONHECIMENTO são dois os critérios básicos da aferição de cientificidade: a) obediência a todos os axiomas paradigmáticos vinculantes; b) replicabilidade na acareação empírica.

5.  CIENTISTA: devemos entender como cientista dois grupos especiais e distintos de pesquisadores: a) os que se dedicam à GESTÃO DO CONHECIMENTO e portanto objetivam preferencialmente o progresso através de inovadoras pesquisas, teorias e práxis; b) os que têm como foco principal a PRESERVAÇÃO e COMUNICAÇÃO do conhecimento já existente, perseguindo avanços científicos sem quebra do vínculo paradigmático vigente. Os cientistas que trabalham com GESTÃO DO CONHECIMENTO obedecem apenas a poucos axiomas, ao passo que os cientistas preservacionistas têm a sua área de atuação limitadíssima a centenas de normas técnicas detalhistas. É importante salientar que as grandes descobertas científicas foram feitas por GESTORES DO CONHECIMENTO.Einstein é um – dentre centenas – de exemplos estimulantes. Eis o que dizia: “minha imaginação foi meu laboratório e minha metodologia”. James McGaugh descobriu mecanismos neuronais envolvidos na memória, na sua garagem. Darwin lançou sua teoria evolucionista excursionando. A neuroeletricidade foi descoberta na cozinha, a gravidade num piquenique, a insulina num sonho, etc. Em “Imaginação Científica”, Holton desfile uma série de descobertas possibilitadas por gestores do conhecimento, os quais gozam da indiscutível vantagem de não estarem cerceados por normas detalhistas, já que estão comprometidos apenas com os axiomas do seu apriori científico, que coincidentemente é também o seu Norte. Por outro lado, quando se trata de comunicar e preservar o conhecimento já adquirido, nele incutindo pequenos atos de KAIZEN, os rigores metodológicos são mais apropriados. É bom salientar, todavia, que se trata de tarefas científicas distintas.

6.  COMISSUROTOMIA: cisão apenas do corpo caloso, mantendo incólumes as demais conexões inter-hemisféricas, permanecendo a contralateralidade visual.

7.  COMPORTAMENTO EFICIENTE OU VIP é caracterizado por atos comportamentais automáticos, eficientes, velozes, rápidos comandados por MEGANES e que eram equivocadamente chamados de inconsciente pelo PPP. O COMPORTAMENTO VIP é sempre função direta, jamais inversa, de memória de boa qualidade, de memória meganérgica ou megane. Exemplo popular de comportamento vip é o bom motorista, cuja eficácia ao guiar é acionada pela megane procedural de pilotar automóvel.  Quando aprendemos a dirigir cometemos vários erros porque a memória que comanda esse comportamento ainda se encontra na fase de MCP (memória a curto prazo), progredindo depois para MLP (memória a longo prazo) fraca. O treino a transforma em MLP forte, chegando após muito uso a consolidar-se como uma memória de grande qualidade e eficácia, ou seja, como uma MEMÓRIA MEGANÉRGICA ou MEGANE. É exatamente a megane procedural de pilotar que faz com que após bastante treino consigamos guiar automaticamente: eis um exemplo de comportamento vip ou eficiente. É com mecanismo semelhante que podemos criar meganes para atirar, guiar, lutar, fugir ou matar automaticamente. A sabedoria evolutiva de milhões de anos preparou nossa atual geração para nascermos com algumas pouquíssimas, mas valiosíssimas megaínas* contendo arquivos de memória de alta qualidade que nos deixam preparados para meia dúzia de atividades: lutar, fugir, comer, beber, copular. Essas megaínas, chamadas confusamente de instinto pelo PPP, são arquivos de memória muito específicos, denominados pedagogicamente de tomadas hormonais. A figura pedagógica é muito adequada: podemos ligar ou desligar uma tomada elétrica e ao fazê-lo especificamente permitimos a conexão de prótons com elétrons produzindo os efeitos luminosos conhecidos. Analogamente podemos ligar ou desligar megaínas e ao fazê-lo especifica e exclusivamente ligamos ou desligamos as respectivas tomadas hormonais. Por exemplo, se você precisa lutar, é suficiente que o córtex analise os elementos culturais e conclua que lutar é a solução, para que a tomada adrenérgica seja imediatamente ligada, sob comando cortical veloz e como conseqüência dessa megaína de luta ocorrem os fenômenos fisiológicos conhecidos tais como diminuição da circulação periférica, aumento da circulação nos braços e tórax, etc. A megaína de luta se restringe a isso, aos efeitos da tomada hormonal: apenas isso é inato. Com quem lutar é cultural. A luta é comandada pela megaína, com quem lutar é comandado por megane. Nascemos com meganes que nos deixam treinados para comer, beber, lutar, fugir, copular.  Todo o resto é cortical: comer peixe cru ou churrasco; lutar contra Fidel ou bush; copular com uma loira ou uma morena; beber sakê ou pinga. Meganes eficientes sempre criam comportamentos eficientes ou VIP. A rapidez e eficácia dos comportamentos vip confundiam sistematicamente os militantes do PPP, os quais por desconhecerem o mecanismo da memória faziam confusões tão grandes a ponto de chamar utopicamente de seqüestro neural o que na realidade era seqüestro emocional. Os exemplos citados por Golemann a favor do seqüestro neural são eloqüentes para demonstrar que o verdadeiro fenômeno por detrás de todos os comportamentos vip é o seqüestro emocional e nunca o seqüestro neural: o pai que ouviu um barulho no escuro, pegou o revolver debaixo do travesseiro, deu um tiro e ao acender a luz descobriu que tinha alvejado mortalmente a própria filha. Aqui temos que sua tomada adrenérgica para lutar, sua megaína de luta foi utilizada corticalmente mediante treino que criou a megane de usar revólver: claramente o nível mais evoluído comandou o nível menos evoluído. Na mesma situação o homem das cavernas teria usado flecha no lugar de revólver, porque esse era o seu elemento cultural para lutar. Assim podemos desenvolver inteligência noérgica, ou seja, podemos aprender a criar meganes culturais as mais diversas possíveis, para comandar a meia dúzia de megaínas (instintos do PPP). Finalmente é bom lembrar que fora desse enfoque, Golemann faz algumas afirmações verdadeiras, embora não pelas razões que invoca. Exemplos: nossas preocupações se tornam profecias realizáveis, impelindo-nos para o desastre que tememos; a ruminação alimenta as chamas da ira. Em noergologia aprendemos que esses são excelentes mecanismos criadores de meganes, porque em todos existe a presença da imaginação ideoplásica, a grande usina de meganes, mecanismo que mostra sua eficácia também naquilo que Frank chama de ansiedade antecipatória.  Criamos uma metodologia conhecida como ERICA, que permite replicar e, portanto demonstrar cientificamente que esse é o mecanismo criador de memórias, principalmente de meganes, onde também identificamos um sentimento natural de gratificação pela materialização comportamental da ação contida nas meganes o gol, a meta alcançada, a vitória.17. COMPORTAMENTO VIP, AUTOMÁTICO, EFICIENTE – são os atos comportamentais criados por meganes, chamados impropriamente de comportamento compulsivo pelo PPP.

8.   CONFRONTAÇÃO EMPÍRICA: acareação da teoria com pesquisas sobre o fenômeno que ela tenta explicar.

9.   CONSCIÊNCIA E INCONSCIÊNCIA: Noergologia não usa nenhum desses semantemas, o último por ser utopia e o primeiro por ser pleonasmo. A necessidade desses dois termos nasceu em circunstâncias históricas, culturais e políticas já ultrapassadas. Várias descobertas aposentaram a necessidade dos dois termos: microfísica do poder, cérebro bicameral, diferença de potencial noérgico. Vide Inconsciente e Cérebro Bicameral.

10.   CONTRALATERALIDADE: cada hemisfério controla o lado oposto do corpo. A contralateralidade visual desaparece no cérebro dividido, mas permanece na comissurotomia.

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