A Última Fronteira – Mensagem aos Místicos

O ser humano é capaz de manipular átomos e gênes – nanotecnologia, e construir veículos espaciais, mas é inépto para resolver problemas como alcoolismo, dependência de tóxicos ou até simples fobia. O motivo de tal fracasso no campo da psicologia é um só: desconhecimento do real funcionamento da mente humana. Essa falha não é acidental, nem decorre de mero erro conceitual qualquer. Resulta da paralisia do próprio paradigma que vem guiando incorretamente as pesquisas, as práxis e as teorias na psicologia, qual seja, o Paradigma do Passivismo Psíquico ou PPP.

PARADIGMA: Paradigma: conjunto de axiomas; que estabelecem dois efeitos: a) delimitam o território; b) exigem obediência. Comparando paradigma à constituição de um país, teremos todas as teorias como equivalentes às leis menores, que, sejam quais forem, não podem desrespeitar o paradigma.

Eis os axiomas que regem o atual Paradigma do Passivismo Psíquico, o qual necessita do minúsculo homem inconsciente para sobreviver: a) energia invasora comanda a imaginação;b) órgão do psiquismo deslocando do cérebro: c) determinismo fragmentário:d) cientista olimpiano gozando de imunidade científica.

O novo paradigma da psicologia, a NOERGOLOGIA, defende a viabilidade de produzir conhecimento científico focalizando o homem como um ativo pólo de poder processador de NOERGIA, a energia específica do pensamento. Eis seus axiomas:a) imaginação controla NOERGIA;b) cérebro é órgão do psiquismo: c) cientista holocentrado; d) intencionalidade.

PPP & PODER: O Paradigma do Passivismo Psíquico é a matriz intelectual que bifurcou a realidade em dois níveis:1) SUPERIOR, reservado aos privilegiados olimpianos conscientes; 2) INFERIOR, destinado a cavernícolas inconscientes. Olimpianos conscientes, através da imunidade científica, vêm estudando Cavernícolas inconscientes impondo-lhes o que Michel Foucault batizou de SABERES-DEPENDENTES-DE-PAR: teorias, práticas e conceitos que só existem com um dos pares concordando em submeter-se hierarquicamente aos discursos de um superior, de tal sorte que rompida a subordinação de poder, desaparece o saber equivalente.

Exemplos claros desta hierarquia são os psicotestes, nos quais o mesmo discurso ou desenho, tanto pode ser psicodiagnóstico consciente quanto sintoma inconsciente, tudo vai depender apenas da casta enunciante: o desenho da árvore contemplado pelo olimpiano é diagnóstico consciente e o desenho de Rorscharch, olhado pelo cavernícola, é sintoma inconsciente.

A lavagem cerebral de que o olimpiano é useiro e vezeiro, como sábio, superior, dono da consciência e da verdade e, da qual, o cavernícola é pária, vítima inconsciente, semeou o conformismo com inúmeras situações culturais alimentadas exclusivamente pelos tais SABERES DEPENDENTES DO PAR OLIMPIANO-CAVERNÍCOLA.

Donde a crença de que Filosofia é para ser estudada a vida inteira, servindo apenas como eco da fala de certos personagens, de validade não admissível quando você mesmo é o produtor do conhecimento. Até estudantes de misticismo não costumam levar a sério a idéia de que podem provocar grandes mudanças na própria vida, além de sensíveis melhorias na raça humana. A promessa de transformar uma folha levada pelo vento em alguém que controla os ventos do destino pessoal e coletivo, recebe a severa contra-ordem cultural que separa o sonho, como algo inatingível, à realidade atual como mais uma fatalidade.

REENCARNAÇÃO: Os passivistas procuraram em várias fontes, menos no próprio cérebro, a origem da energia necessária para a atividade mental: desde flechas invisíveis, passando por fluidos invasivos, pelo útero ejetável (Hipócrates), pelo íncubo copulador da bruxaria, reencarnando-a na explicação psicanalítica da atividade mental como subproduto da libido sexual.

FALSO TABU: Nos quatro cantos do mundo, sexo serve para transar e cérebro para pensar menos para representantes do Paradigma do Passivismo Psíquico, para os quais, mais de um século depois do alerta de Bernard, o cérebro continua sendo uma deformação da natureza e o sexo o órgão mais desenvolvido do planeta. De fato, para grandes ícones do Paradigma do Passivismo Psíquico, como o Inconsciente psicanalítico, o combustível do pensamento tem como provedores os órgãos genitais.

Quem se espanta com tal informação levará susto maior ao compreender que quando se fala em inconsciente – coluna mestre da psicologia – fala-se em libido e que libido, nas palavras de Freud, é o representante das exigências do sexo comandando o psiquismo. Explicado por Laplanche a pulsão sexo representa uma força que exerce uma pressão e a libido é a energia desta pressão”. Psicanálise é um tratado de imaginação capturada e teleguiada pela energia invasora sexual, denominada profissionalmente de inconsciente psicanalítico.

SANCTUM & TRANSDUÇÃO: Quando Freud afirma que o cerimonial místico é sintoma de neurose, ele apenas conclui que a energia invasora da libido inconsciente é quem na realidade comanda cerimoniais como o do SANCTUM ou do templo, que na sua própria descrição são, como qualquer outro sintoma, apenas atos sexuais substitutos. O filósofo Paul Ricoeur demonstrou exaustivamente que do encontro entre psicanálise e misticismo, um dos dois sai ferido de morte, já que são excludentes entre si.

Religiosos e místicos sabem que os seus cerimoniais não são confraternização de neuróticos; mas sim autêntica demonstração da transcendentalidade do homem, fato que a noergologia constata ao adotar o axioma da imaginação comandando noergia, energia típica do pensamento.

IMAGINAÇÃO E ENERGIA: Nossos antepassados, incluindo Sprenger, perito em bruxaria, e Freud, perito em psicanálise, cumpriram na psicologia tarefa semelhante à de Ptolomeu na astronomia. Tal como este descobriu o vínculo Terra-Sol, aqueles deixaram claro para nossa geração que o mecanismo da mente está ligado ao binômio IMAGINAÇÃO-ENERGIA.

Ptolomeu, Sprenger e Freud descobriram haver relação entre dois fatores pertinentes, mas inverteram o mecanismo entre eles: Ptolomeu situou a terra no centro do universo e os líderes passivistas puseram a energia no comando da Imaginação.

Da mesma forma que Copérnico corrigiu a distorção geocêntrica, esclarecendo que a Terra gira em torno do Sol e não o contrario, a NOERGOLOGIA corrige o mecanismo passivista, mostrando que a imaginação comanda a energia e não vice-versa.

IDÉIAS ALTAMENTE CARREGADAS DE ENERGIA:Os pesquisadores passivistas tiveram o mérito de constatar a existência do fenômeno conhecido por idéias altamente carregadas de energia. Mas, como desconheciam completamente a neuroeletricidade, necessitaram recorrer a uma energia importada, alienígena ao cérebro, que o Autor batiza de axioma da energia invasora. Além disso os passivistas ignoravam o próprio sentido e alcance da palavra energia.

FRAUDES: A difusão sistemática de fraudes científicas, fenômeno recorrente na história da cultura humana, atinge com facilidade saberes recrutados por paradigmas que estejam na fase paralisante e revolucionária, como é o caso da psicologia. Exemplo típico de fraude científica é a propaganda enganosa de que sexo era um tabu para explicar a mente e que Freud teria sido pioneiro em definir o pensamento como uma função inconsciente do sexo.
A História demonstra o contrário. Desde que Hipócrates – 3 séculos a.C., lançou a teoria do útero ejetável produzindo histeria, o sexo camuflado por apelidos como histeria, libido ou inconsciente, ficou consagrado como o grande e único provedor de combustível para a mente. Quando Freud surgiu com suas teorias do psiquismo sexogênico, fazia vinte e três séculos que só se falava nisso.

Tabus sempre foram energia cerebral e imaginação, nunca sexo, tanto que quem quer que mencionasse cérebro e imaginação para explicar o psiquismo era vaiado, segregado, perseguido ou preso como ocorreu com Setchenov, Avicena, Berger.

Tanto é que, mesmo depois de poligrafada, a eletricidade cerebral demorou dez anos para que diminuta parcela científica começasse a aceitá-la. Em síntese, o casamento: (1) da observação das idéias altamente carregadas de energia com (2) o desconhecimento da energia cerebral, criou a necessidade da energia invasora como provedora de combustível para o pensamento. Ela é que precisa ser reprimida, consegue retornar deslocada podendo enganar o ego e refugiar-se na imaginação projetiva.

Só tais invasões possibilitam que a energia sexual seja psicanalisada e psicotestada. Aposentado o axioma da energia invasora, tudo isto desaparece. E não há com o que se espantar. O tal invasor chamado inconsciente, tão assiduamente caçado desde antigos tempos, atingindo o apogeu durante o século XX, nunca existiu. Igualmente o seu irmão gêmeo, o éter. também estava em todas as partes da velha física. Quando esta trocou de paradigma percebeu que ele nunca esteve em lugar algum, porque também nunca existiu.

NOVA CONSTITUIÇÃO: A Noergologia não é uma nova teoria, nem visa retificar o motor da atual psicologia. O indicado é a troca do motor. Paradigma é para ser aceito ou rejeitado. Ele em si mesmo não é testável, sendo processamento noético filosófico da mais pura cepa. Testáveis devem ser teorias, pesquisas e hipóteses suscitadas pela noergologia. Revolução de Paradigma na Psicologia sugere um rol de temas, que já podem ser abordados sob o novo paradigma.

Embora não tenham dado conta da maneira como descrevemos, conceitos noergológicos já vem sendo adotados secularmente em algumas escolas secretas e testados individualmente por milhares de místicos, que já usam a imaginação para controlar energias mentais, neurais, fisiológicas, sexuais e até elétricas, como é o caso do fenômeno da formação de nuvens de elétrons.

Quem discorda da noergologia é a ciência acadêmica. Esta proposta revolucionária convida o mundo acadêmico, científico, político, pedagógico. psicológico, sociológico, médico. psiquiátrico e jurídico para que também adotem a noergologia, permitindo enorme avanço e significativos benefícios para a humanidade.

A revolução ocorrerá não em decorrência de um livro, mas da evolução cultural e mental do homem. O livro apenas oferece a vantagem de reunir num só volume, uma gama de pesquisas e descobertas advindas de diferentes áreas, mostrando que a pressão transdisciplinar aponta na direção da noergologia.

Holzkamp adverte que a psicologia não é uma constante histórica e se ela não se puser de imediato a serviço do homem, abandonando seu papel policialesco do pensamento; se ela não trouxer benefícios palpáveis para o homem e não mais para o poder, corre o risco de desaparecer como ramo autônomo do conhecimento. Se esta revolução for protelada, a psicologia poderá perder o bonde da História para a física quântica, que já está mais perto da essência do mecanismo da mente, do que suspeita a velha psicologia passivista.

EM JOGO: Afinal, o que está em jogo nesta revolução não é mera disputa intelectual mas a efetiva possibilidade científica de pesquisar. desenvolver e acionar o fabuloso potencial mental. você deve pleitear a oportunidade de não mais ser tratado como um passivo fantoche do inconsciente libidina1, e exigir dos profissionais o direito de ser reconhecido como pólo de poder processador ativo e consciente de noergia.
Segundo Hermann Bondi, revoluções paradigmáticas provocam pororoca historicamente previsível: o abalo de saberes consolidados e a abertura de estimulantes novas fronteiras. Místicos sensíveis e intelectuais evoluídos já percebem que a veemência das restrições à noergologia será proporcional à compreensão da amplitude dos seus efeitos dominó. Eis alguns: fim do asilo concedido a bandidos pelo álibi do inconsciente. Imputabilidade da segregação mental por psicotestes compulsórios, da psiatrogenia, da psicocracia e da propaganda em prol do comportamento violento, liderada por declarações equivocadas de que brincar com armas e assistir a filmes violentos diminuiria a agressividade porque permitiria a catarse” da violência resultante da energia invasora.

NOVO CAMINHO: Tal como Colombo, os que seguem o Paradigma do Passivismo Psíquico esbarram num continente pensando estar em outro. Apenas quando a mente for enfocada como agente e não paciente é que será possível à psicologia fornecer teorias que ajudem a conquistar a grande fronteira do conhecimento: compreensão e controle do fantástico potencial mental, dormitando há milhões em cada um de nós, na expectativa tão só de ser descoberto, pesquisado e acionado.  

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